the end is where we start from. and every phrase
and sentence that is right (where every word is at home,
taking its place to support the others,
the word neither diffident nor ostentatious,
an easy commerce of the old and the new,
the common word exact without vulgarity,
the formal word precise but not pedantic,
the complete consort dancing together)
every phrase and every sentence is an end and a beginning,
every poem an epitaph. and any action
is a step to the block, to the fire, down the sea's throat
or to an illegible stone: and that is where we start.
in Four Quartets
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terça-feira, 24 de novembro de 2009
terça-feira, 6 de outubro de 2009
what have you seen?
nous avons vu des astres
et des flots, nous avons vu des sables aussi;
et, malgré bien des chocs et d'imprévus désastres,
nous nous sommes souvent ennuyés, comme ici
in Le Voyage
et des flots, nous avons vu des sables aussi;
et, malgré bien des chocs et d'imprévus désastres,
nous nous sommes souvent ennuyés, comme ici
in Le Voyage
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
night owl
she walks in beauty, like the night
of cloudless climes and starry skies,
and all that's best of dark and bright
meets in her aspect and her eyes;
thus mellow'd to that tender light
which heaven to gaudy day denies.
one shade the more, one ray the less,
had half impair'd the nameless grace
which waves in every raven tress
or softly lightens o'er her face,
where thoughts serenely sweet express
how pure, how dear their dwelling-place.
and on that cheek and o'er that brow
so soft, so calm, yet eloquent,
the smiles that win, the tints that glow,
but tell of days in goodness spent,—
a mind at peace with all below,
a heart whose love is innocent.
Lord Byron
of cloudless climes and starry skies,
and all that's best of dark and bright
meets in her aspect and her eyes;
thus mellow'd to that tender light
which heaven to gaudy day denies.
one shade the more, one ray the less,
had half impair'd the nameless grace
which waves in every raven tress
or softly lightens o'er her face,
where thoughts serenely sweet express
how pure, how dear their dwelling-place.
and on that cheek and o'er that brow
so soft, so calm, yet eloquent,
the smiles that win, the tints that glow,
but tell of days in goodness spent,—
a mind at peace with all below,
a heart whose love is innocent.
Lord Byron
for you
foi para ti que criei as rosas.
foi para ti que lhes dei perfume.
para ti rasguei ribeiros
e dei ás romãs a cor do lume.
foi para ti que lhes dei perfume.
para ti rasguei ribeiros
e dei ás romãs a cor do lume.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
the man and the sea
homme libre, toujours tu chériras la mer!
la mer est ton miroir; tu contemples ton âme
dans le déroulement infini de sa lame,
et ton esprit n'est pas un gouffre moins amer.
tu te plais à plonger au sein de ton image;
tu l'embrasses des yeux et des bras, et ton coeur
se distrait quelquefois de sa propre rumeur
au bruit de cette plainte indomptable et sauvage.
vous êtes tous les deux ténébreux et discrets:
homme, nul n'a sondé le fond de tes abîmes;
ô mer, nul ne connaît tes richesses intimes,
tant vous êtes jaloux de garder vos secrets!
et cependant voilà des siècles innombrables
que vous vous combattez sans pitié ni remords,
tellement vous aimez le carnage et la mort,
ô lutteurs éternels, ô frères implacables!
Charles Baudelaire
la mer est ton miroir; tu contemples ton âme
dans le déroulement infini de sa lame,
et ton esprit n'est pas un gouffre moins amer.
tu te plais à plonger au sein de ton image;
tu l'embrasses des yeux et des bras, et ton coeur
se distrait quelquefois de sa propre rumeur
au bruit de cette plainte indomptable et sauvage.
vous êtes tous les deux ténébreux et discrets:
homme, nul n'a sondé le fond de tes abîmes;
ô mer, nul ne connaît tes richesses intimes,
tant vous êtes jaloux de garder vos secrets!
et cependant voilà des siècles innombrables
que vous vous combattez sans pitié ni remords,
tellement vous aimez le carnage et la mort,
ô lutteurs éternels, ô frères implacables!
Charles Baudelaire
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
counting
thinking in terms of one
is easily done—
one room, one bed, one chair,
one person there,
makes perfect sense; one set
of wishes can be met,
one coffin filled.
but counting up to two
is harder to do;
for one must be denied
before it's [even] tried
Philip Larkin
is easily done—
one room, one bed, one chair,
one person there,
makes perfect sense; one set
of wishes can be met,
one coffin filled.
but counting up to two
is harder to do;
for one must be denied
before it's [even] tried
Philip Larkin
sábado, 19 de setembro de 2009
o fortuna
há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas,
as que já têm a forma do nosso corpo;
e esquecer os nossos caminhos
que nos levam sempre aos mesmos lugares
é o tempo da travessia,
e se não ousarmos fazê-la,
teremos ficado
para sempre
à margem de nós mesmos...
Fernando Pessoa
as que já têm a forma do nosso corpo;
e esquecer os nossos caminhos
que nos levam sempre aos mesmos lugares
é o tempo da travessia,
e se não ousarmos fazê-la,
teremos ficado
para sempre
à margem de nós mesmos...
Fernando Pessoa
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
minimum inflection point
aqueles que me têm muito amor
não sabem o que sinto e o que sou...
não sabem que passou, um dia, a dor
à minha porta e, nesse dia, entrou.
e é desde então que eu sinto este pavor,
este frio que anda em mim, e que gelou
o que de bom me deu nosso senhor!
se eu nem sei por onde ando e onde vou!!
sinto os passos de dor, essa cadência
que é já tortura infinda, que é demência!
que é já vontade doida de gritar!
e é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,
a mesma angústia funda, sem remédio,
andando atrás de mim, sem me largar!
Florbela Espanca
não sabem o que sinto e o que sou...
não sabem que passou, um dia, a dor
à minha porta e, nesse dia, entrou.
e é desde então que eu sinto este pavor,
este frio que anda em mim, e que gelou
o que de bom me deu nosso senhor!
se eu nem sei por onde ando e onde vou!!
sinto os passos de dor, essa cadência
que é já tortura infinda, que é demência!
que é já vontade doida de gritar!
e é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,
a mesma angústia funda, sem remédio,
andando atrás de mim, sem me largar!
Florbela Espanca
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quarta-feira, 16 de setembro de 2009
sweet endings come and go
la noche buena se viene,
la noche buena se va,
y nosotros nos iremos
y no volveremos mas
la noche buena se va,
y nosotros nos iremos
y no volveremos mas
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
halfway
tudo o que faço ou medito
fica sempre na metade.
querendo, quero o infinito.
fazendo, nada é verdade
fica sempre na metade.
querendo, quero o infinito.
fazendo, nada é verdade
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
waking up
ao acordar, a solidão sulcara
um vale nos cobertores e o meu corpo era de novo
um trilho abandonado na paisagem. sentei-me na cama
repeti devagar o teu nome, o nome dos meus sonhos,
mas as sílabas caíam no fim das palavras, a dor esgota
as forças, são frios os batentes nas portas da manhã
Maria do Rosário Pedreira
um vale nos cobertores e o meu corpo era de novo
um trilho abandonado na paisagem. sentei-me na cama
repeti devagar o teu nome, o nome dos meus sonhos,
mas as sílabas caíam no fim das palavras, a dor esgota
as forças, são frios os batentes nas portas da manhã
Maria do Rosário Pedreira
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
callin'
nomeei-te no meio dos meus sonhos
chamei por ti na minha solidão
troquei o céu azul pelos teus olhos
e o meu sólido chão pelo teu amor
Ruy Belo
chamei por ti na minha solidão
troquei o céu azul pelos teus olhos
e o meu sólido chão pelo teu amor
Ruy Belo
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
reboot
apesar das ruínas e da morte,
onde sempre acabou cada ilusão,
a força dos meus sonhos é tão forte,
que de tudo renasce a exaltação,
e nunca a minhas mãos ficam vazias
Sophia de Mello Breyner
onde sempre acabou cada ilusão,
a força dos meus sonhos é tão forte,
que de tudo renasce a exaltação,
e nunca a minhas mãos ficam vazias
Sophia de Mello Breyner
draft
pinto a carvão e a pincel,
borrões, marcas, manchas,
numa simples folha de papel
traço o desejo e pinto objectivos:
revelo uma estranha visão,
criada por movimentos assíncronos e desajustados
da minha mão
encho uma tela do sangue que pulsa,
ainda quente,
no meu coração.
desenho a fé, e a alma,
com tons escuros e difusos,
seguindo um mapa antigo,
que não revela o seu rumo
preencho-a com personagens libertos da razão,
reflexos e fractais de mim mesmo,
que sem se darem conta seguem o seu próprio guião,
em cenários e sonhos de uma tela de cinema
num golpe de mestria: assino.
e admiro a tela cheia de côr, sons e luz,
de sensações e expressões,
de alegrias e desesperos,
de vitórias e derrotas,
satisfeito, sorrio
afasto-me e sigo o meu caminho
deixando para trás o quadro da minha vida
borrões, marcas, manchas,
numa simples folha de papel
traço o desejo e pinto objectivos:
revelo uma estranha visão,
criada por movimentos assíncronos e desajustados
da minha mão
encho uma tela do sangue que pulsa,
ainda quente,
no meu coração.
desenho a fé, e a alma,
com tons escuros e difusos,
seguindo um mapa antigo,
que não revela o seu rumo
preencho-a com personagens libertos da razão,
reflexos e fractais de mim mesmo,
que sem se darem conta seguem o seu próprio guião,
em cenários e sonhos de uma tela de cinema
num golpe de mestria: assino.
e admiro a tela cheia de côr, sons e luz,
de sensações e expressões,
de alegrias e desesperos,
de vitórias e derrotas,
satisfeito, sorrio
afasto-me e sigo o meu caminho
deixando para trás o quadro da minha vida
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
binary lifes
temos, todos [os] que vivemos,
uma vida que é vivida
e [uma] outra vida que é pensada,
e a única vida que temos
é essa que é dividida
entre a verdadeira e a errada
uma vida que é vivida
e [uma] outra vida que é pensada,
e a única vida que temos
é essa que é dividida
entre a verdadeira e a errada
terça-feira, 25 de agosto de 2009
lullaby
nem sombra nem luz
nem sopro de estrela
nem corpinhos nus
de anjos à janela
nem asas de pombos
nem algas no fundo
nem olhos redondos
espantados do mundo
nem vozes na ilha
nem chuva lá fora
dorme [bem] minha [menina]
que eu não vou embora
nem sopro de estrela
nem corpinhos nus
de anjos à janela
nem asas de pombos
nem algas no fundo
nem olhos redondos
espantados do mundo
nem vozes na ilha
nem chuva lá fora
dorme [bem] minha [menina]
que eu não vou embora
terça-feira, 11 de agosto de 2009
romance is dead[?] (alternate version)
...and the girl said:
we killed romance, you and me,
when we turned our backs
to what we dont want to see,
we killed our hopes and dreams,
exchanging "can be's" by the "could have been's"
finding out that love could hurt and even die,
and then using it as an excuse to not even try
we killed romance, you and me,
thinking we're gods in a world we tame,
when we're just men and women in a much bigger game
we stopped fighting for what we earn and believe,
but started believing we deserve someone else's dream
we killed romance, you and me,
painting lifes on tales covered in dust,
growing blind to the people and stories in front of us,
we let courage and passion die out of fear,
raising a numbness we can no longer tear
the boy said:
Stop.
we are not trapped in the fates we draw:
measured in prizes we think we score.
life will bring you whatever you choose to folow
[luckily, we're not that hollow]
and if at any given time,
you think that romance is dead,
look for it in your heart
remembering that it's all in your head
we killed romance, you and me,
when we turned our backs
to what we dont want to see,
we killed our hopes and dreams,
exchanging "can be's" by the "could have been's"
finding out that love could hurt and even die,
and then using it as an excuse to not even try
we killed romance, you and me,
thinking we're gods in a world we tame,
when we're just men and women in a much bigger game
we stopped fighting for what we earn and believe,
but started believing we deserve someone else's dream
we killed romance, you and me,
painting lifes on tales covered in dust,
growing blind to the people and stories in front of us,
we let courage and passion die out of fear,
raising a numbness we can no longer tear
the boy said:
Stop.
we are not trapped in the fates we draw:
measured in prizes we think we score.
life will bring you whatever you choose to folow
[luckily, we're not that hollow]
and if at any given time,
you think that romance is dead,
look for it in your heart
remembering that it's all in your head
domingo, 9 de agosto de 2009
home
goodbye, proud world, i'm going home,
thou'rt not my friend, and i'm not thine;
long through thy weary crowds i roam[ed];
a river-ark on the ocean brine,
long i've been tossed like the driven foam,
but [for] now, proud world, i'm going home."
Ralph Waldo Emerson
thou'rt not my friend, and i'm not thine;
long through thy weary crowds i roam[ed];
a river-ark on the ocean brine,
long i've been tossed like the driven foam,
but [for] now, proud world, i'm going home."
Ralph Waldo Emerson
quarta-feira, 29 de julho de 2009
her [own] words
eu sou a que no mundo anda perdida,
eu sou a que na vida não tem norte,
sou a irmã do sonho, e desta sorte
sou a crucificada ... a dolorida ...
sombra de névoa ténue e esvaecida,
e que o destino amargo, triste e forte,
impele brutalmente para a morte!
alma de luto sempre incompreendida! ...
sou aquela que passa e ninguém vê ...
sou a que chamam triste sem o ser ...
sou a que chora sem saber porquê ...
sou talvez a visão que alguém sonhou,
alguém que veio ao mundo pra me ver
e que nunca na vida me encontrou!
Florbela Espanca
eu sou a que na vida não tem norte,
sou a irmã do sonho, e desta sorte
sou a crucificada ... a dolorida ...
sombra de névoa ténue e esvaecida,
e que o destino amargo, triste e forte,
impele brutalmente para a morte!
alma de luto sempre incompreendida! ...
sou aquela que passa e ninguém vê ...
sou a que chamam triste sem o ser ...
sou a que chora sem saber porquê ...
sou talvez a visão que alguém sonhou,
alguém que veio ao mundo pra me ver
e que nunca na vida me encontrou!
Florbela Espanca
domingo, 19 de julho de 2009
amostra sem valor
eu sei que o meu desespero não interessa a ninguém.
cada um tem o seu: pessoal e intransmissível:
[e] com ele se entretém e se julga intangível.
eu sei que a humanidade é mais gente do que eu,
sei que o mundo é maior do que o bairro onde habito,
que o respirar de um só, mesmo que seja o meu,
não pesa num total que tende para infinito.
eu sei que as dimensões impiedosas da vida
ignoram todo o homem, dissolvem-no, e, contudo,
nesta insignificância, gratuita e desvalida,
[o] Universo sou eu, com nebulosas e tudo.
António Gedeão
cada um tem o seu: pessoal e intransmissível:
[e] com ele se entretém e se julga intangível.
eu sei que a humanidade é mais gente do que eu,
sei que o mundo é maior do que o bairro onde habito,
que o respirar de um só, mesmo que seja o meu,
não pesa num total que tende para infinito.
eu sei que as dimensões impiedosas da vida
ignoram todo o homem, dissolvem-no, e, contudo,
nesta insignificância, gratuita e desvalida,
[o] Universo sou eu, com nebulosas e tudo.
António Gedeão
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