aqueles que me têm muito amor
não sabem o que sinto e o que sou...
não sabem que passou, um dia, a dor
à minha porta e, nesse dia, entrou.
e é desde então que eu sinto este pavor,
este frio que anda em mim, e que gelou
o que de bom me deu nosso senhor!
se eu nem sei por onde ando e onde vou!!
sinto os passos de dor, essa cadência
que é já tortura infinda, que é demência!
que é já vontade doida de gritar!
e é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,
a mesma angústia funda, sem remédio,
andando atrás de mim, sem me largar!
Florbela Espanca
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quinta-feira, 17 de setembro de 2009
quarta-feira, 29 de julho de 2009
her [own] words
eu sou a que no mundo anda perdida,
eu sou a que na vida não tem norte,
sou a irmã do sonho, e desta sorte
sou a crucificada ... a dolorida ...
sombra de névoa ténue e esvaecida,
e que o destino amargo, triste e forte,
impele brutalmente para a morte!
alma de luto sempre incompreendida! ...
sou aquela que passa e ninguém vê ...
sou a que chamam triste sem o ser ...
sou a que chora sem saber porquê ...
sou talvez a visão que alguém sonhou,
alguém que veio ao mundo pra me ver
e que nunca na vida me encontrou!
Florbela Espanca
eu sou a que na vida não tem norte,
sou a irmã do sonho, e desta sorte
sou a crucificada ... a dolorida ...
sombra de névoa ténue e esvaecida,
e que o destino amargo, triste e forte,
impele brutalmente para a morte!
alma de luto sempre incompreendida! ...
sou aquela que passa e ninguém vê ...
sou a que chamam triste sem o ser ...
sou a que chora sem saber porquê ...
sou talvez a visão que alguém sonhou,
alguém que veio ao mundo pra me ver
e que nunca na vida me encontrou!
Florbela Espanca
quarta-feira, 15 de abril de 2009
lágrimas ocultas
se me ponho a cismar em outras eras
em que ri e cantei, em que era q'rida,
parece-me que foi noutras esferas,
parece-me que foi numa outra vida...
e a minha triste boca dolorida
que dantes tinha o rir das Primaveras,
esbate as linhas graves e severas
e cai num abandono de esquecida!
e fico, pensativa, olhando o vago...
toma a brandura plácida dum lago
o meu rosto de monja de marfim...
e as lágrimas que choro, branca e calma,
ninguém as vê brotar dentro da alma!
ninguém as vê cair dentro de mim!
Florbela Espanca
em que ri e cantei, em que era q'rida,
parece-me que foi noutras esferas,
parece-me que foi numa outra vida...
e a minha triste boca dolorida
que dantes tinha o rir das Primaveras,
esbate as linhas graves e severas
e cai num abandono de esquecida!
e fico, pensativa, olhando o vago...
toma a brandura plácida dum lago
o meu rosto de monja de marfim...
e as lágrimas que choro, branca e calma,
ninguém as vê brotar dentro da alma!
ninguém as vê cair dentro de mim!
Florbela Espanca
terça-feira, 10 de março de 2009
gipsy hearts breaking
Passei a vida a amar e a esquecer...
Atrás do sol dum dia, [um] outro a aquecer
As brumas dos atalhos por onde ando...
E este amor que assim me vai fugindo
É igual a outro amor que vai surgindo,
Que há-de partir também... nem eu sei quando...
Atrás do sol dum dia, [um] outro a aquecer
As brumas dos atalhos por onde ando...
E este amor que assim me vai fugindo
É igual a outro amor que vai surgindo,
Que há-de partir também... nem eu sei quando...
Florbela Espanca
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