quarta-feira, 13 de maio de 2009

terça-feira, 12 de maio de 2009

singularity

something is about to change: i can feel the air around me cracking, as all the energy to create a life changing event is being withdrawn. concentrating into a single point. something is about to change, and is going to be big

in all major events of my life, i felt this.
right before the big traumas and the greatest joys: the death of my grandfather, the divorce of my parents, the nameless event, the prizes i won, the major conquests, and when i fell deeply in love. i felt them coming, but i never knew if they’d be good or bad

the wheels of fate are already moving. i can hear them.
the feeling you get just like when you see a riverbed holding back, getting dry, right before a giant wave, that will destroy everything around, comes;
the feeling you get when you hear an orchestra tuning up their instruments right before the most beautiful symphony you ever heard is played;
the feeling you get right before when you start a new journey with no clear destination, and you move into the unknown;
the feeling you get, when you realize that you will completely fall in love, and there is nothing you can do against it.

the momentum is growing, feeding itself.
it will concentrate itself, until it holds no more, and then explodes into a unique singularity that will lead me into a new stage of my life [if it will be good way or bad, I cannot really tell]
i’m only allowed know that everything that makes me be: all my personality, love, past experiences and knowledge, will be used [or tested]. And that the only way to move forward is to be true to myself: [to forget whatever conflicts may exist and,] fully use mind, heart, body and soul to face and experience what is coming

my soul grows restless, wandering and travelling all around the world seeking what lies ahead, while i stay calm, watching.
all my senses grow tense. i become edgy. I detach myself of everything unimportant. i bind myself, renew and hold on to everything that is. cleansing my fears: getting ready, watching, waiting, hearing, feeling.

something is about to change, to begin, to make me believe
i don’t know if it will be for the better or the worse,
but something is about to change, and is going to be big

segunda-feira, 11 de maio de 2009

estórias de amor - a farda [plágio descarado]

A noite fazia-se quente à medida que avançava. Naquele lugar à Beira-Tejo não era só a temperatura a subir. Havia Fiats e Fords, pequenos automóveis com donos sem dinheiro para pagar a gasolina, vidros embaciados e o lugar de trás ocupado. Ela era uma dessas raparigas no início da juventude, apaixonada, a descobrir um mundo a que muitos chamavam sexo mas que ela insistia em dizer que não era mais do que amor verdadeiro. No banco de trás, saia arregaçada numa lua de Verão, ele por baixo dela e ela ao colo dele. Encaixavam os corpos como podiam e não queriam saber que posições mantinham os do carro do lado, porque ninguém se importava com ninguém, quando o que importava era o que se passava dentro de portas e de vidros lisos. Tomara que fossem foscos. Respiravam fundo e entregavam palavras de gozo um ao outro. A saia cobria parte das pernas e as sandálias de salto há muito rodavam perto dos tapetes, descalças. Ele tinha os jeans a meio corpo, desapertados, boxers aos quadradinhos abaixo da anca, a a pele branca a roçar-se na dela.

O toque fê-los dar um salto. O Citrôen AX de um modelo antigo deu cor ao rubor que traziam no rosto. No vidro sem sombra, os nós dos dedos apagavam o terno embaciamento da noite. Deixavam marcas e faziam barulho. Lá fora, o homem de farda azul olhava para eles e gozava o momento. Calças à pressa puxadas para cima, as cuequinhas de renda arrastadas das pernas, sandálias que voltavam aos pés e um salto para a rua. Só ele, que ela estava demasiado embaraçada para existir.

Nos outros carros observava-se agora o Rio e a Ponte. A lua dava sinais de tréguas e todos respiravam fundo, os que não tinham sido surpreendidos pelos dedos da farda. Ele dava desculpas e tentava provar que não, que não era atentado ao pudor, que ali todos faziam o mesmo, que não havia crianças, nem velhinhos, nem turistas a passear ao longo da noite. No banco da frente, ela ouvia baixinho o que se passava lá fora. Via-o humilde e quase arrependido, à procura de uma justificação para não lhe resistir. Teve medo.

Tinham passado 24 horas. Ele esperava agora pelo homem da farda azul, numa rua algures na cidade. Sítio combinado, talvez perto da esquadra, ele nem sabia bem. No bolso, a vergonha da noite anterior e uma nota de 20 euros. Não se pedia mais a um rapaz de 19 anos. Viu-o chegar, assobio na boca e cassetete à cintura, talvez sem nunca ter sido usado. Ela em casa, a criar imagens de uma situação que não vivera até ao fim mas que também provocara. O arrependimento era de ter sido apanhada e prometeu não repetir a proeza. Pelo menos ali, à beira-Tejo. O polícia aproximou-se e sentiu-se satisfeito por ter criado problemas a mais alguém. Pouco importava se uma casa era roubada, ali ao lado, se uma mulher era violada, se uma idosa era espancada. Aquele rapazinho tinha de pagar por amar alguém, assim, desenfreadamente, à vista de todos, sem vergonha. E o polícia, que há muito não sabia o que era o amor.

A conversa acabou com menos 20 euros no bolso e uma tentativa de receber mais. Livrava-o da prisão, e da multa maior, e da vergonha na esquadra, é certo... mas queria a sua parte, o suficiente para uma bica e talvez três ou quatro jolas, que a tarde estava para esquecer. Ele libertou-se da nota sem medo. As mesmas calças que antes tinham sido arrastadas pernas abaixo, guardavam agora o vazio de uma noite que tinha prometido ser densa. Não olhou para o homem fardado quando lhe passou o dinheiro para a mão. Fixou-se na farda e sentiu vergonha. Não por ter sido apanhado em plena noite da cidade a fazer amor com ela. Mas porque no dia em que vivia, um homem só trocava o pudor por uma nota de 20.

by Samantha

break free

quero tempo
para pensar,
para parar,
para dormir,
para amar,
para sorrir,
para dançar,
para dar,
para viajar,
para disfrutar,
para receber,
para escrever,
para observar,
para imaginar,
para sonhar,
para sofrer,
para doer,
para sentir,
para viver,

e acima de tudo:
para Ti.

e isso é tudo o que interessa

quinta-feira, 7 de maio de 2009

o que é

...é um não sei quê, vem não sei donde, dói não sei porquê, e acaba não sei como...

Luís de Camões

quarta-feira, 6 de maio de 2009

from someone i know [plágio...]

mergulhamos nas palavras, elas aquecem
mergulhamos nos gestos, eles queimam

não, ainda não entendeste o que eu sinto

mergulhamos no silêncio, ele magoa
mergulhamos no ruído, ele incomoda

não, continuas sem entender o que te digo

mergulhamos em certezas, elas confortam
mergulhamos em dúvidas, elas enlouquecem

desisto de tentar mostrar o que não queres ver

mergulhamos na solidão, ela consola
mergulhamos na multidão, ela irrequieta

fim de conversa

terça-feira, 5 de maio de 2009

excessivo

eu quis um violino no telhado
e uma arara exótica no banho.
eu quis uma toalha de brocado
e um pavão real do meu tamanho.
eu quis todos os cheiros do pecado
e toda a santidade que não tenho.
eu quis uma pintura aos pés da cama
infinita de azul e perspectiva.
eu quis ouvir ouvir a história de Mira Burana
na hora da orgia prometida.
eu quis uma opulência de sultana
e a miséria amarga da mendiga.
eu quis um vinho feito de medronho
de veneno, de beijos, de suspiros.
eu quis a morte de viver dum sonho
eu quis a sorte de morrer dum tiro.
eu quis chorar por ti durante o sono
eu quis ao acordar fugir contigo.
mas tudo o que é excessivo é muito pouco.
por isso fiquei só, com o meu corpo.

Rosa Lobato Faria

domingo, 3 de maio de 2009

simplify..

...simply fly

sexta-feira, 1 de maio de 2009

first twins

between all the prime numbers there are some that are even more special.

mathematicians call them 'first twins': they are couples of prime numbers that always stay near, one to the other; or rather 'quite' near, because between them there is always an even number that doesn't allow them to touch each other.
Numbers like 11, 13 or like 17, 19... 41, 43.

If you have enough time and patience to count, it will be obvious that these couples will thin out. More and more prime and isolated numbers will appear, lost in that silent and measured space built only by digits.

as we go along, it looks like all these couples are all 'accidentally' together.
and, anyway, their only true destiny would be to stay alone. Then, just when it's clearly visible... when nobody would continue to count... that's it: first twins, clutched, squeezed.

mathematicians say that, counting infinitesimally, there would always exist another 'first twins': even if nobody knows where, when...

You and me are just it, first twins: near, whenever you decide it, but however not able to touch...

deep blue still waters

how will you react when you face the void?